Às vezes me pego pensando no que não gostaria de pensar.
Parece ser inevitável ser uma pessoa em constante sofrimento.
Não sei. Talvez eu ainda não saiba lidar direito com meus sentimentos.
Ou talvez eu realmente tenha uma certa tendência ao drama.
Tem horas que não consigo evitar a solidão que sinto e não consigo explicar o buraco que me puxa para baixo.
Na maior parte do tempo sou feliz, ou finjo que vou. Vai saber.
Eu rio, brinco, canto, danço.
Eu choro, me entristeço, fujo, me escondo.
Tenho tentado encontrar a mim mesma.
Quero saber que eu sou.
Mas não tem sido fácil.
Pode ser pelo fato de ter sido durante toda a minha vida aquilo que quiseram para mim e agora que posso ser eu mesma, não sei quem sou de verdade.
Como diz meu irmãozinho, essa busca interminante pelo nosso "eu" nos impede de realmente "ser".
É próvavel que ele seja a única pessoa no mundo que saiba exatamente o que eu sinto porque ele sente o mesmo.
Somos almas partidas que cairam em cada canto do mundo.
Começo a pensar que passamos tempo demais sentindo e pouco tendo vivendo.
Viver nos assusta um pouco.
A nossa transparência é a nossa faca de dois gumes, não é?
Nos expõe para o bem e para o mau.
Nossos corações são dois seres a parte de nós.
Eles seguem um rumo próprio e não têm o costume de nos avisar se queríamos ir naquela direção.
Seguiremos assim, não sabendo por quanto tempo, nem o caminho.
Caindo e levantando.
Sabendo apenas que um estará ali para segurar a mão do outro.
E que, inevitavelmente, num futuro talvez não muito distante, tudo ficará bem.
Tristeza X Saudade
Há 16 anos