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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Outro pedacinho de cristal


Não sei por que, mas tem um lado meu que desperta um instinto protetor nas pessoas.
Acho que é justamente a redoma em que fui criada e a minha aparente fragilidade.
Apesar de todos que realmente me conhecem saberem que sei me defender muito bem.
Eu acho que já usei a frase "não sou de açucar" milhões de vezes.
Um amigo uma vez me disse que eu aparentava ter a fragilidade de um cristal mas era forte como um diamante bruto que passava por uma dura lapidação. Achei isso tão lindo.
Entendo o medo daqueles que gostam de mim pelo meu jeito de ser.
Eu confio demais, tenho fé demais nas pessoas.
O pior é que todo mundo me diz para não confiar em ninguém, mas não consigo evitar.
Sempre dou a chance com a certeza de que no fim quem perde é quem desperdiça a confiança que depositei nele.
Acredito que numa relação ganha aquele que mais se doa a ela.
Seja qualquer tipo de relação.
Irmãos, pais, namorados, amigos.
Eu me entrego de corpo e alma.
Sou a pessoa mais transparente que eu conheço, fato severamente repreendido pelos que acham que devem me proteger.
A minha sinceridade não envolve dizer que uma amiga está acima do peso ou coisas que só magoariam quem já não está bem, é diferente, sou transparente comigo mesma, com os meus sentimentos em relação a tudo e todos.
Isso me deixa vulnerável.
Exposta a quem quiser me atingir.
Não me importa.
No fim, outro traço recentemente desenvolvido pela minha personalidade é ser quem realmente sou sem me importar em ser o que os outros querem de mim.
Já fui quem eles queriam por muitos anos.
Agora é hora de descobrir e me aceitar como sou.
Como eu costumo dizer: "Espatifei completamente a minha redoma, agora é hora de colar os pedaços de mim que quebrei no percurso."

domingo, 24 de agosto de 2008

A metade da minha alma

Às vezes me pego pensando no que não gostaria de pensar.
Parece ser inevitável ser uma pessoa em constante sofrimento.
Não sei. Talvez eu ainda não saiba lidar direito com meus sentimentos.
Ou talvez eu realmente tenha uma certa tendência ao drama.
Tem horas que não consigo evitar a solidão que sinto e não consigo explicar o buraco que me puxa para baixo.
Na maior parte do tempo sou feliz, ou finjo que vou. Vai saber.
Eu rio, brinco, canto, danço.
Eu choro, me entristeço, fujo, me escondo.
Tenho tentado encontrar a mim mesma.
Quero saber que eu sou.
Mas não tem sido fácil.
Pode ser pelo fato de ter sido durante toda a minha vida aquilo que quiseram para mim e agora que posso ser eu mesma, não sei quem sou de verdade.
Como diz meu irmãozinho, essa busca interminante pelo nosso "eu" nos impede de realmente "ser".
É próvavel que ele seja a única pessoa no mundo que saiba exatamente o que eu sinto porque ele sente o mesmo.
Somos almas partidas que cairam em cada canto do mundo.
Começo a pensar que passamos tempo demais sentindo e pouco tendo vivendo.
Viver nos assusta um pouco.
A nossa transparência é a nossa faca de dois gumes, não é?
Nos expõe para o bem e para o mau.
Nossos corações são dois seres a parte de nós.
Eles seguem um rumo próprio e não têm o costume de nos avisar se queríamos ir naquela direção.
Seguiremos assim, não sabendo por quanto tempo, nem o caminho.
Caindo e levantando.
Sabendo apenas que um estará ali para segurar a mão do outro.

E que, inevitavelmente, num futuro talvez não muito distante, tudo ficará bem.

sábado, 23 de agosto de 2008

Pedaços de mim

Sempre foi fácil me expressar através da escrita.
As palavras sempre tiveram uma facilidade incrível para escapar de mim e fugir para o papel, ou nesse caso, elas passam por meus dedos, atingem o teclado e revelam o "eu" mais escondido que tenho.
Estou longe de ser uma pessoa simples.
Uma redoma foi-me imposta há muitos anos e, hoje, apesar de ter rompido as barreiras necessárias para tentar viver, tenho medo e me pego tentando colar os pedacinhos de cristal que ficaram pelo chão para tentar entender quem realmente sou eu.
Espero um dia conseguir.