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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O novo que assusta

Você sabe exatamente o quanto foi infeliz a sua vida toda no momento em que passa a ser feliz de verdade.
É a velha história, se você não teve algo não tem como sentir falta disso.
Tudo muda quando você passa a conhecer esse sentimento chamado felicidade.
Dói um pouco perceber o quanto a sua vida foi vazia durante anos, o quanto você sonhava em ser feliz sem ter ao menos idéia do que seria isso.
Você observa atônita a felicidade entrar pela janela e você apavorada tenta mantê-la para fora.
Ela é insistente e entra pelas frestas.
Você não consegue impedir.
As pessoas a sua volta não entendem o por que de você querer impedir.
Elas não sabem que você está apavorada.
Não sabem que nunca foi feliz antes e que isso está te assustando.
Não sabem que o medo de perder o que está acontecendo te faz fugir só pelo medo de sofrer de novo.
Você foi sozinha por tanto tempo.
Foi triste por tanto tempo.
E agora tem medo de não saber ser feliz.
Antes você não tinha nada, não tinha o que perder, mas agora poderia perder tudo.
Seus amigos te dizem para não ter medo. Ele te olha nos olhos e te diz para não ter medo.
E você se depara encurralada contra a parede com o coração batendo depressa e a respiração ofegante.
Você quer ser feliz apesar de todo o medo.
Você caminha até a janela e a abre de novo. Abre aos pouquinhos, abre devegarinho.
O brilho da felicidade ofusca seus olhos e você recua.
Depois resolve dar uma chance ao novo mundo que se apresenta a sua porta.
Você escancara a janela.
Agora não tem mais jeito, a felicidade está bem a sua frente, apenas esperando que você crie coragem de abrir os olhos e dê o próximo passo.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Quando o destino ri de mim

Acho que o destino decididamente resolveu brincar comigo nessa semana.
Resolveu mostrar que não sou senhora da minha vida como pensei que fosse.
Ele me deu um chacoalhão que até agora abala as minhas estruturas.
Se me dissessem que estaria na expectativa que estou há uma semana atrás, eu riria.
Tudo mudou de repente.
Seguiu um rumo completamente inesperado.
Todas as barreiras excelentemente construídas em volta do meu coração ruíram e eu o vi se aproximar sem entender o que estava acontecendo.
"Eu sei o que quero."
Isso já não me parece tão certo.
Talvez eu não saiba de nada.
Barreiras, redomas, escudos.
Tudo foi repentinamente arrancado de mim e nem tive tempo de me esconder.
Ele me atingiu antes que eu levantasse novamente a guarda.
Ele me olhou nos olhos, disse meu nome e me fez ver algo que nunca vi: alguém realmente disposto a olhar para dentro de mim.
É provável que ele não saiba direito onde esteja se metendo e depois de amanhã fuja para bem longe.
O que eu posso dizer é que estranhamente não tenho medo.
Amanhã é só mais um dia.
Um dia que está me marcando mais do que deveria, mas ainda assim será apenas mais um dia.
Sem grandes expectativas.
Tentando fazer aquilo que tanto aconselham para mim: "Viver o momento."
Não vou mentir, no fundo, espero e quero muito que o momento dure, mesmo que ele não seja o "ele" que eu sempre esperei.

domingo, 24 de agosto de 2008

A metade da minha alma

Às vezes me pego pensando no que não gostaria de pensar.
Parece ser inevitável ser uma pessoa em constante sofrimento.
Não sei. Talvez eu ainda não saiba lidar direito com meus sentimentos.
Ou talvez eu realmente tenha uma certa tendência ao drama.
Tem horas que não consigo evitar a solidão que sinto e não consigo explicar o buraco que me puxa para baixo.
Na maior parte do tempo sou feliz, ou finjo que vou. Vai saber.
Eu rio, brinco, canto, danço.
Eu choro, me entristeço, fujo, me escondo.
Tenho tentado encontrar a mim mesma.
Quero saber que eu sou.
Mas não tem sido fácil.
Pode ser pelo fato de ter sido durante toda a minha vida aquilo que quiseram para mim e agora que posso ser eu mesma, não sei quem sou de verdade.
Como diz meu irmãozinho, essa busca interminante pelo nosso "eu" nos impede de realmente "ser".
É próvavel que ele seja a única pessoa no mundo que saiba exatamente o que eu sinto porque ele sente o mesmo.
Somos almas partidas que cairam em cada canto do mundo.
Começo a pensar que passamos tempo demais sentindo e pouco tendo vivendo.
Viver nos assusta um pouco.
A nossa transparência é a nossa faca de dois gumes, não é?
Nos expõe para o bem e para o mau.
Nossos corações são dois seres a parte de nós.
Eles seguem um rumo próprio e não têm o costume de nos avisar se queríamos ir naquela direção.
Seguiremos assim, não sabendo por quanto tempo, nem o caminho.
Caindo e levantando.
Sabendo apenas que um estará ali para segurar a mão do outro.

E que, inevitavelmente, num futuro talvez não muito distante, tudo ficará bem.

sábado, 23 de agosto de 2008

Amor, estranho amor

Existe isso que chamam de amor?
É real ou apenas uma reação química?
Tenho tentado entender esse sentimento que tão pouco experimentei.
Conheço o amor fraterno, materno, mas e os outros?
Ou melhor, e o outro?
E aquele que tanto queria entender e encontrar?
Ah... Às vezes, acredito no que algumas pessoas me disseram. Sou uma sonhadora. Idealizo demais. Espero demais.
Se me dizem que o que sinto é apenas carência, como poderei ter certeza de que não é?
Amar é você gostar tanto de uma pessoa que abriria mão se isso o deixasse feliz?
É sentir uma alegria boba ao receber um sms sem motivo? É se preocupar se ele saiu sem blusa e o tempo virou? É pensar em se manter distante para não pressionar, mesmo querendo estar perto? É sentir um frio na barriga ao ouvir a voz dele dizendo seu nome? É querer vê-lo bem mesmo que não seja com você? É ter certeza de que ele é a pessoa certa e mesmo que seja a errada, você o quer do mesmo jeito?
Se isso tudo for apenas sinal de carência, tudo bem, mas se não for eu estou perdida.