quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Amor condicional

Algumas pessoas não sabem simplesmente amar.
Amar aceitando os erros, os defeitos, as diferenças, as individualidades do outro.
Para essas pessoas o seu amor tem um preço exato.
Se você não for exatamente o que eles querem que você seja não será amado.
Esse tipo de amor é doentio, faz mais mal do que bem.
Reduz o ser amado a um objeto sem vontade própria que sofre dia após dia por saber que nunca será o que queriam dele.
Impor condições para se amar alguém é cortar as asas daquele que se diz amar.
É machucar quem estupidamente tenta ser amado.
É não sentir, mas escolher o sentimento, você ama se ele for como você, se fizer o que você faria, se seguir o que você indicar.
Ah... Mas se essa pessoa se rebelar, se essa pessoa tentar ser ela mesma e tentar viver pela primeira vez, ela imediatamente se tornará um pária e perderá o que acreditou ser amor.
O amor condicional é muito pior que o ódio, a ira ou a inveja.
É pior porque aquele que o dá tem a certeza de que está dando algo bom quando na verdade está destruindo outro ser humano que não se dobra a sua vontade.
É muito triste quando acordamos e percebemos que nunca seremos aceitos e muito menos amados se decidirmos viver a nossa vida. Sempre faltará uma parte de nós.
Mas chega um ponto em que por mais que você queira se iludir com esse falso amor, você sabe que precisa crescer e abrir mão do que sempre te fez mal.
Um amor que te oprime, que te destrói aos poucos, um amor que você nunca conseguirá atingir porque você não consegue mais fingir ser quem você não é.
Um amor que te impõe ter segredos, não mostrar quem você realmente é porque sabe que jamais será aceito.
Amor que você aceitou por tantos anos e ficava muito feliz ao fingir ser quem não era porque isso era exatamente o que o seu pai e a sua mãe queriam que você fosse.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O novo que assusta

Você sabe exatamente o quanto foi infeliz a sua vida toda no momento em que passa a ser feliz de verdade.
É a velha história, se você não teve algo não tem como sentir falta disso.
Tudo muda quando você passa a conhecer esse sentimento chamado felicidade.
Dói um pouco perceber o quanto a sua vida foi vazia durante anos, o quanto você sonhava em ser feliz sem ter ao menos idéia do que seria isso.
Você observa atônita a felicidade entrar pela janela e você apavorada tenta mantê-la para fora.
Ela é insistente e entra pelas frestas.
Você não consegue impedir.
As pessoas a sua volta não entendem o por que de você querer impedir.
Elas não sabem que você está apavorada.
Não sabem que nunca foi feliz antes e que isso está te assustando.
Não sabem que o medo de perder o que está acontecendo te faz fugir só pelo medo de sofrer de novo.
Você foi sozinha por tanto tempo.
Foi triste por tanto tempo.
E agora tem medo de não saber ser feliz.
Antes você não tinha nada, não tinha o que perder, mas agora poderia perder tudo.
Seus amigos te dizem para não ter medo. Ele te olha nos olhos e te diz para não ter medo.
E você se depara encurralada contra a parede com o coração batendo depressa e a respiração ofegante.
Você quer ser feliz apesar de todo o medo.
Você caminha até a janela e a abre de novo. Abre aos pouquinhos, abre devegarinho.
O brilho da felicidade ofusca seus olhos e você recua.
Depois resolve dar uma chance ao novo mundo que se apresenta a sua porta.
Você escancara a janela.
Agora não tem mais jeito, a felicidade está bem a sua frente, apenas esperando que você crie coragem de abrir os olhos e dê o próximo passo.

sábado, 30 de agosto de 2008

Devagar para não machucar o coração

O destino tem o dom de me pregar peças.
Eu não disse que não queria ficar com ninguém além "dele" no momento?
Como é que esse senhor implacável vem e me prova o contrário?
Esse outro alguém que surgiu não se sabe de onde e que, na verdade, sempre esteve ali, apenas não conseguia transpassar a barreira que impus entre nós dois.
Não sei se é a espontaneidade própria da idade ou se o jeito meigo de ser e lidar comigo.
O que sei é que ele rachou a redoma e se aproximou de mim.
Acabou se tornando o primeiro com quem fiquei numa balada e lidei com isso melhor do que imaginei que lidaria.
Acho que nem todos conseguem lidar com esse meu jeito tímida de ser, ele vem com jeitinho e aquele sorriso de quem não está fazendo nada demais e afinal não está mesmo.
Falar que eu consigo ficar com quem eu não conheço ainda não dá e acredito que nunca dará, mas pelo menos agora posso ter com um amigo alguns bons momentos, sem grandes expectativas e realmente... puxa... ah...
Que coisa boa é ser tratada com carinho e ser mais que uma pegada numa balada.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Quando o destino ri de mim

Acho que o destino decididamente resolveu brincar comigo nessa semana.
Resolveu mostrar que não sou senhora da minha vida como pensei que fosse.
Ele me deu um chacoalhão que até agora abala as minhas estruturas.
Se me dissessem que estaria na expectativa que estou há uma semana atrás, eu riria.
Tudo mudou de repente.
Seguiu um rumo completamente inesperado.
Todas as barreiras excelentemente construídas em volta do meu coração ruíram e eu o vi se aproximar sem entender o que estava acontecendo.
"Eu sei o que quero."
Isso já não me parece tão certo.
Talvez eu não saiba de nada.
Barreiras, redomas, escudos.
Tudo foi repentinamente arrancado de mim e nem tive tempo de me esconder.
Ele me atingiu antes que eu levantasse novamente a guarda.
Ele me olhou nos olhos, disse meu nome e me fez ver algo que nunca vi: alguém realmente disposto a olhar para dentro de mim.
É provável que ele não saiba direito onde esteja se metendo e depois de amanhã fuja para bem longe.
O que eu posso dizer é que estranhamente não tenho medo.
Amanhã é só mais um dia.
Um dia que está me marcando mais do que deveria, mas ainda assim será apenas mais um dia.
Sem grandes expectativas.
Tentando fazer aquilo que tanto aconselham para mim: "Viver o momento."
Não vou mentir, no fundo, espero e quero muito que o momento dure, mesmo que ele não seja o "ele" que eu sempre esperei.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Outro pedacinho de cristal


Não sei por que, mas tem um lado meu que desperta um instinto protetor nas pessoas.
Acho que é justamente a redoma em que fui criada e a minha aparente fragilidade.
Apesar de todos que realmente me conhecem saberem que sei me defender muito bem.
Eu acho que já usei a frase "não sou de açucar" milhões de vezes.
Um amigo uma vez me disse que eu aparentava ter a fragilidade de um cristal mas era forte como um diamante bruto que passava por uma dura lapidação. Achei isso tão lindo.
Entendo o medo daqueles que gostam de mim pelo meu jeito de ser.
Eu confio demais, tenho fé demais nas pessoas.
O pior é que todo mundo me diz para não confiar em ninguém, mas não consigo evitar.
Sempre dou a chance com a certeza de que no fim quem perde é quem desperdiça a confiança que depositei nele.
Acredito que numa relação ganha aquele que mais se doa a ela.
Seja qualquer tipo de relação.
Irmãos, pais, namorados, amigos.
Eu me entrego de corpo e alma.
Sou a pessoa mais transparente que eu conheço, fato severamente repreendido pelos que acham que devem me proteger.
A minha sinceridade não envolve dizer que uma amiga está acima do peso ou coisas que só magoariam quem já não está bem, é diferente, sou transparente comigo mesma, com os meus sentimentos em relação a tudo e todos.
Isso me deixa vulnerável.
Exposta a quem quiser me atingir.
Não me importa.
No fim, outro traço recentemente desenvolvido pela minha personalidade é ser quem realmente sou sem me importar em ser o que os outros querem de mim.
Já fui quem eles queriam por muitos anos.
Agora é hora de descobrir e me aceitar como sou.
Como eu costumo dizer: "Espatifei completamente a minha redoma, agora é hora de colar os pedaços de mim que quebrei no percurso."

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O tempo


Espero que o tempo passe logo.
É o único que resolverá toda essa questão.
O tempo pode fazer com que eu te esqueça e isso seria bom.
O tempo pode fazer com que você me ame como eu te amo e isso seria bom.
O tempo pode fazer com que eu te olhe com outros olhos e isso seria bom.
O tempo pode fazer com que você me olhe com outros olhos e isso seria bom.
O tempo pode fazer meu coração parar de bater por você e isso seria bom.
O tempo pode fazer seu coração bater por mim e isso seria bom.
Eu só espero que o tempo passe da mesma forma para nós dois.
Só espero que tudo acabe da melhor forma porque me ocorreu agora que o tempo pode ser cruel e pode fazer acontecer exatamente no mesmo momento fatos opostos.
O tempo pode fazer com que eu te esqueça e pode fazer com que você se lembre de mim de uma forma que não quer lembrar, da forma que eu lembro de você hoje.
Se o tempo for cruel nós vamos passar a vida nos desencontrando.
E eu não aguento mais me desencontrar de você...
“Eu quero que você olhe para mim e veja a pessoa que você sempre conheceu e perceba que o que temos é tão mais incrível do que uma mera e passageira atração física…”